A tradição empírica recebeu um grande apoio no período moderno com as contribuições filosóficas de Thomas Hobbes e Jonh Locke, além de autores de uma filosofia política, que fundamentou a base das compreensões políticas na modernidade, ambos filósofos colaboraram para o entendimento das bases da fonte do conhecimento.

Thomas Hobbes

Nascido na Inglaterra em Malmesbury, Thomas Hobbes (1588-1679) desde cedo adquiriu gosto pelas línguas clássicas, estudando grego e latim. Aos sete anos, foi aluno de Robert Latimer versado em latim e grego, que lhe proporcionou sólidos conhecimentos nas línguas clássicas, rendendo-lhe a sua primeira tradução, Medéia de Eurípedes, aos 15 anos de idade.

Aos 14 anos de idade ingressou em Magdalen Hall, Oxford. Após ter terminado seu curso superior em Oxford, em 1608, empregou-se como preceptor de várias famílias nobres, entre elas a família de Carlos Stuart (1640), futuro Rei Carlos III.

Viajou pela Itália, onde conheceu Galileu, e pela França, passando por Paris, onde viveu um exílio voluntário de 1640 a 1651, e Merssene, onde participou dos círculos cartesianos.

Morreu aos noventa e um anos, em dezembro de 1979, deixando obras cuja reflexão acerca da política é o seu principal tema, seguido da teoria do conhecimento humano: Os elementos da lei natural e política (1640); Do cidadão (1642-1647); Da natureza humana ou elementos fundamentais da política (1650); Leviatã (1651); Do homem (1658); Tratado do homem (1658); Sobre a liberdade e a necessidade (1682); Questões referentes à liberdade, à necessidade e ao acaso.

Hobbes fez parte da corrente filosófica conhecida como o empirismo inglês. Está corrente defendeu a tese de que são os sentidos a fonte do conhecimento humano, cabendo à razão as particuaridades que cada filósofo lhe atribuiu, segundo a sua doutrina.

Em Hobbes, a irredutibilidade da substância pensante (corpo) sustentada por Descartes é duramente criticada. Ao contrário do que propunha o racionalista francês, acerca da substância, o filosófo inglês defendeu um materialismo radical, no qual toda substância seria corporal. Para ele, uma coisa que pensa é algo corporal, a razão apenas participa com suas sutilizas agindo sobre os sentidos. Como corpo, Hobbes entende tudo aquilo que é causa das sensações. Ele designa como corpo aquilo que ocupa espaço, tem certa grandeza e uma forma determinada. Por isso, o corpo exterior é, ao homem, a causa das sensações, pois os órgãos sensoriais humanos são sensibilizados por ações corporais que são propagadas até a mente.

Isso significa dizer que o conhecimento se dá por dois princípios: movimento e memória.

Por um lado, as causas principais das pressões que sentimos dos outros corpos é o movimento e “são muitos os movimentos da matéria que pressionam nossos órgãos de maneira diversa”, sendo que as aparências que tocam os sentidos é o movimento local dos corpos, ou seja, a mudança dos corpos no espaço; por outro, é através da memória que o homem registra as qualidades dos objetos, os fantasmas sensíveis, que são os efeitos dos corpos e do movimento dos sentidos humano na razão.

Desse modo, o que a razão opera, com efeito, são convenções sobre as significações nela mesma, reunidas em NOMES dados de modo arbitrário e de acordo com as imagens projetadas na razão. Esta concepção de conhecimento o tornou em um filósofo nominalista, em que os nomes são fundamentos para que a razão possa operar os dados impressos pelos sentidos.

O nominalismo hobbesiano releva que os pensamentos são fluídos e, dessa forma, devem ser apreendidos como sinais sensíveis, que conduzem a razão a dados passados, registrando e sistematizando-os como tais, para que possam ser, posteriormente, transmitidos.

Assim como os nomes são arbitrários, são também as definições (conceitos) construídas pelos homens. Para Hobbes, as definições não expressam nada senão a mesma arbitrariedade dos nomes, pois, em si mesma, definir é apenas fornecer significado ao termo usado e, por conseguinte, as proposições são também um conjunto arbitrário de conexões que a razão opera.

A razão, portanto, não passa de uma faculdade humana que serve como instrumento de operação ou cálculo entre nomes gerais, cuja função é marcar e significar os pensamentos. Assim, raciocinar é o meio pelo qual  a razão chega necessariamente a certas conclusões. Premissa essas que nos chegam apenas pelos sentidos. Todo conhecimento humano deriva de uma só origem: a experiência. O homem que possuir maior número de experiências em qualquer tipo de assunto, possui, conseqüentemente, maior números de sinais e significados e, portanto, terá capacidade de prever acontecimentos futuros, e será, devido à memória de experiências, mais prudente que outros.