Racionalismo

O que é o racionalismo? O Racionalismo caracterizou-se, principalmente, por fundamentar seus argumentos na capacidade da razão em conhecer as coisas no mundo real, em que a experiência sensível não basta para fornecer todos os conhecimentos.

A fonte do conhecimento humano

Qual são as fontes do conhecimento humano? A Razão? Os Sentidos? Para a Filosofia, essa questão entre razão e sentidos retoma os tempos antigos, desde a filosofia pré-socrática, com Heráclito e Parmênides, passando, posteriormente, por Platão e Aristóteles. Desde aqueles tempos, houve um debate para fundamentar as fontes do conhecimento. Na modernidade, porém, essa discussão se torna mais evidente entre os filósofos. Descartes, Espinosa, Leibnis e Kant são considerados filósofos do racionalismo, cada um a seu modo, e Hobbes, Locke e Hume do empirismo.

Entre os racionalistas há necessidade de ressaltar que Kant também adotou para a sua doutrina filosófica o termo Racionalismo, embora, em seu racionalismo, ele tenha operado a junção das duas fontes de conhecimento, o seu racionalismo se direcionou para as indagações críticas da razão, em que procurou investigar o papel, a função, o significado e o limite do pensamento da razão humana à construção conhecimento.

Todavia, o racionalismo, como forma de pensamento filosófico, recebeu seu significado como corrente e expressão filosófica em Hegel, que o demarcou, como corrente, a um período entre Descartes a Espinoza e Leibniz e, como significado, chamou-o como a “metafísica do intelecto”.

O Racionalismo na Modernidade

Qual foi o grande racionalista da Modernidade? Assim como Copérnico foi um dos marcos para o pensamento empirista e renascentista e, consequentemente, para a Revolução Científica, René Descartes se destacou no seu racionalismo pela forma como abordou o seu principal objetivo: a verdade indubitável; e pelo modo com constituiu seus argumentos em torno dela. A partir dele, tem-se um caminho que diverge do pensamento medieval em relação às explicações da realidade das coisas e da própria razão em conhecê-las. Por isso, Descartes foi considerado o pai da filosofia moderna.

De fato, a corrente racionalista demarcou uma reviravolta na construção do pensamento crítico e nos princípios que fundamentaram a metafísica e a teoria do conhecimento na modernidade. Por isso, como não poderia deixar de ser, o estudo da Filosofia Moderna se dá, para nós, também por essa fonte primeira de transformação.

Ruptura com o pensamento medieval

O Racionalismo Moderno rompeu com o pensamento Medieval? O princípio que sustenta a corrente racionalista na modernidade, como uma filosofia que se difere de outras, é a percepção de que os pensadores racionalistas modernos, excluindo aqueles que antes também depositaram a sua confiança na razão, rejeitaram a tutela da fé religiosa sobre a razão, bem como buscaram delinear o poder da razão natural em conhecer o mundo e a si mesmo efetivamente.

Por isso, a partir do poder natural da razão, o racionalismo recebe seu teor metafísico. Se por um lado, o racionalismo tem a razão como guia autônomo do homem e a ela mesma como fundamento da realidade; por outro, refere-se à tese metafísica de que havia no mundo um organismo racional estruturado em conformidade com os modos e os objetivos inteligíveis.

O mundo, de fato, encontrava-se desordenado, disperso, múltiplo e relativo. As referências que outrora sustentavam os pilares da compreensão e de sustentação do mundo se viam abaladas. Era preciso fixar novos centros de apoio para reconduzir a humanidade a caminhos que a ajudassem superar os abalos sofridos no mundo. Disso decorreu que os filósofos racionalistas colaboraram para a mudança do paradigma medieval e configuraram uma nova perspectiva de mundo, que hoje alimenta as reflexões na filosofia contemporânea.