O que podemos chamar de conhecimento?

O conhecimento científico move o mundo contemporâneo.
Foto por Visual Tag Mx em Pexels.com

Falar de conhecimento hoje parece chover no molhado. São tantas fontes de conhecimento, são tantas ciências, que às vezes temos a sensação que o saber é coisa que qualquer um tem. No entanto, não é bem assim.

Na história da Filosofia, o conhecimento humano tem um lugar privilegiado. Ao dimensionar os temas da filosofia e sobre a história da filosofia procura-se trazer o conhecimento como mote principal para a aprendizagem da filosofia, principalmente, por ser esse o ponto mais alto de todo estudo filosófico. Tradicionalmente, a filosofia caminha sobre a trilha do saber. Saber esse que se fundamenta como uma busca interminável e jamais conformada com as revelações dos saberes alcançados. Por isso, acredita-se que o conceito conhecimento seja o objeto primeiro para a compreensão do que seja exatamente Filosofia.

É certo, contudo, afirmar que o ser humano, em si mesmo, é princípio, causa primeira, do seu próprio saber, no entanto, embora seja ele figura necessária à compreensão da filosofia, acredita-se que sem o conceito de conhecimento, como um conjunto de procedimentos e elementos que nos conduzem ao saber, não seria possível definir o que é o ser humano. Por isso, creio que seja necessário investigar primeiro o que vem a ser conhecimento para que se possa, mais adiante, dar passos a outros temas que emergem da compreensão do que vem a ser filosofia.

Um dos termos mais ouvidos e mais discutidos na sociedade contemporânea talvez seja o uso do conceito conhecimento. Este conceito permeia a nossa vida desde o momento em que aprendemos a lidar com as primeiras palavras e apontar as coisas que nos cerca, procurando compreender e dar significados a elas. Mais que isso, o conhecimento, ao longo da história humana, se fez não apenas objeto para conhecer as coisas do mundo, nomeando ou classificando-as, mas se fez instrumento para despertar a curiosidade humana sobre o funcionamento dos fenômenos do mundo.

Foi ai, a partir da curiosidade humana em conhecer não apenas os efeitos dos fenômenos, mas também as causas e as relações necessárias para que eles acontecessem, que o ser humano passou a desenvolver essa curiosidade incessante de conhecer. O que é? Como é? Quando é? Por que é? Foram questões que surgiram na mente humana a cerca das coisas. Estas tornaram-se questões que dizem respeito não apenas à ignorância daquele que desconhece, mas à necessidade humana constante para operar os objetos do mundo e dar-lhes sentido por meio do saber.

Cursos Livres de Filosofia: Filosofia da Ciência. Em Breve!

Desde o momento em que o ser humano primitivo sentiu o desejo de retratar nas paredes de uma caverna as suas experiências de caça ou teve a engenhosidade de bater uma pedra em outra a fim de desenvolver uma ferramenta que pudesse lhe ajudar a caçar, ele não fez outra coisa senão conhecer. Desde o primeiro som emitido que foi compreendido como um significado que se referiu a algo, estabelecendo, assim, uma comunicação, o ser humano não faz outra coisa senão compartilhar o seu saber.

O que se percebe, portanto, é que o conhecimento se fundamentou sob a curiosidade e o esforço humano, para que outros humanos conheçam o que apenas um humano conhece. O conhecimento constituiu-se, portanto, no elemento fundamental para a compreensão do que vem a ser o humano como um todo.

Hoje são tantos os conhecimentos envolvidos em nosso dia a dia que não se dá conta do quanto se tem dele. Tome, por exemplo, uma caneta esferográfica. Nela há tanto conhecimento humano ali depositado que não se tem em mente quais são todos os conhecimentos necessários para produzi-la. Quais os tipos de plásticos estão envolvidos na fabricação da caneta? Quais são os elementos químicos envolvidos no pigmento que deixa a marca sobre a folha de papel em branco? Que tipo de metal é a esfera que fica acoplada na ponta extrema da caneta? E se fosse permanecer aqui elencando as inúmeras questões que surgirão acerca do que é uma caneta esferográfica, as páginas desse livro talvez não fossem suficientes para recebê-las.

O conhecimento hoje é, sem dúvida, a fonte de toda a desenvolvimento humano do mundo. Conhecer é saber operar as formas que se apresentam à sensibilidade e à razão humana, é saber lidar com as facetas da atividade humana, como trabalho, sociedade, política, família e todos os fenômenos da natureza. Conhecer é se vincular aos homens de um tempo passado; é dar sentido e construir o tempo presente, projetando-se ao futuro.

Em uma sociedade tecnológica como a nossa, o conhecimento é a fonte fundamental não apenas à relação com as coisas do mundo, mas também como modo de preservação e manutenção da própria existência. Pode-se afirmar, portanto, que o conhecimento humano é um conjunto de saberes que ajudam o ser humano a dar sentido à sua realidade existencial e psicológica, diante de um mundo que se projeta à sua frente.

Inicialmente, pode-se elencar dois tipos de conhecimentos que se adquire de modo primário:

  • O conhecimento sensível, aquele que vem da experiência sensível, constituído pela sensação e pela percepção;
  • O conhecimento inteligível, aquele que se completa como conhecimento apenas pelo uso da razão e suas capacidades em comparar, diferenciar, analisar e sintetizar conceitos a partir de si mesma.

Dessas duas fontes, pode-se operar um conjunto de conhecimentos que variam de acordo com o grau de profundidade e justificação das abstrações realizadas pelo sujeito sobre determinado objeto, são eles:

  • O conhecimento mítico;
  • O conhecimento de senso comum;
  • O conhecimento filosófico;.
  • O conhecimento científico.

É certo, pois, que o que foi descrito aqui sintetiza o conhecimento compreendido ao longo da história da humanidade. Entre tantos pensadores que a humanidade revelou e que se propuseram a pensar o conhecimento, um tanto divergiu de outro tanto, trazendo assim um debate que enriqueceu o saber de toda a humanidade. Cada um deles tratou o conhecimento de modo peculiar, ora concordando com uns; ora discordando de outros. Contudo, todos colaboraram com o saber a que procuramos hoje compreender. Assim, em momento oportuno, revisitar-se-á estes pensadores afim de que se possa esclarecer de modo mais evidente, o que se pensou sobre essa faceta humana: o conhecimento.

Por Porfirio Amarilla Filho