Na história da filosofia, considera-se Meditações da Filosofia Primeira ou Meditações Metafísicas uma obra ímpar, sem igual. A sua mais célebre expressão “penso, logo existo” é a maior contribuição de Descartes ao pensamento filosófico.

Primeiro, por ser na história da humanidade a primeira vez que a existência humana é dada sem a necessidade de outro fundamento existencial, senão a própria natureza humana. Isso significa dizer que a existência é dada ao homem pela sua própria consciência de pensar, toda vez que penso, e somente quando penso, existo. Aqui, estabelece-se uma verdade que nem os céticos podem duvida.

Segundo, por ser o fundamento do conhecimento humano moderno, propriamente dito. Não é possível hoje pensar o homem sem levar em conta a subjetividade humana revelada por Descartes. Toda a construção da realidade humana, como ser pensante, dá-se exatamente na consciência do EU cartesiano como tomada de consciência do sujeito que pensa a si mesmo e a realidade que o acerca.

Cursos Livres de Filosofia. O ponto de Arquimedes para o saber.

Como sabemos, o objetivo do cogito (do latim cogito=pensar) foi fundamentar o conhecimento como uma verdade primeira e indubitável. Segundo Descartes, um ponto de apoio que se sustentasse por si só: “Arquimedes, a fim de tirar o globo terrestre de seu lugar e transportá-lo para outro, pedia nada mais que não fosse um ponto fixo e certo. Portanto terei o direito de alimentar grandes esperanças, se for bastante feliz para encontrar apenas uma coisa que seja segura e incontestável”.

Para encontrar tal ponto de Arquimedes, Descartes partiu de um princípio que permeou a filosofia desde os seus primórdios: a dúvida. Desde os filósofos pré-socráticos, passando por Sócrates e Platão a dúvida tem sido o instrumento de apoio para revelar os fundamentos do conhecimento.

É fato, portanto, que a dúvida tem guiado todos os movimentos da filosofia até a contemporaneidade, todavia, é preciso caracterizá-la em Descartes.

A dúvida que o movimentou ao longo de suas meditações tem inspiração cética. E essa inspiração está muito evidente em toda a trajetória de sua obra. Ao ver de Descartes, tais questões haviam de ser levadas a cabo, pois nada poderia ser construído como saber se essas questões não pudessem ser superadas. Por isso, ele tentou estabelecer em seu caminho ao menos um ponto em que pudesse apoiar o seu saber, ou seja, que ao menos “uma verdade” pudesse ser estabelecida para que ali repousasse sua razão.

Dessa forma, ao mesmo tempo em que buscou ser instrumento para a rejeição de todos os saberes até então adquiridos, a dúvida, pela qual Descartes construiu a sua filosofia, foi, também, a implicação de uma verdade originária nela e dela mesma.

Portanto, o argumento da dúvida cartesiana visou à refutação inquestionável aos argumentos céticos fundamentada no próprio movimento cético, contudo, o ceticismo cartesiano tinha um objetivo próprio, a verdade,

Desse modo, não bastou para Descartes que fosse a dúvida apenas estendida radicalmente a todas as coisas, ao modo cético. Ela, em si mesma, teria o seu limite, que seria a própria verdade que procurava. Há, portanto, uma intenção implícita que a faz diferente da dúvida intuitiva.

Não por menos, Descartes tornou-se o pai da Filosofia Moderna e entrou para a história da humanidade. Sua obra deixou um legado que hoje imprime a sua influência em toda contemporaneidade. Daqui, pois, a importância da frase “penso, logo, existo”, que comumente deparamo-nos com ela nos lugares mais comuns da nossa sociedade. Contudo, o seu sentido e sua importância requer um aprofundamento da Filosofia Cartesiana.