Nos anais da Filosofia, David Hume (1711-1776) é considerado o maior filósofo empirista inglês e um dos influenciadores da Filosofia Moderna. Possuidor de uma crítica aguçada, Hume elevará o nível de reflexão sobre o papel do conhecimento e da ciência a níveis importantíssimos para a configuração do pensamento científico na contemporaneidade.

O modo como ele conduziu as reflexões sobre o conhecimento humano, influenciou o modo de conceber a Teoria do Conhecimento na Filosofia. O filósofo alemão Immanuel Kant, alguns anos após Hume, declarará que sob a influência de Huma desperta do sono dogmático em que havia estado até então.

Hume, com efeito, compreende que a fonte do conhecimento humano são os sentidos. As matérias que se ocupam a razão não tem outra fonte senão aquelas vindas do nosso sentir, cheirar, ouvir, tocar e ver. Todas as percepções humanas são “impressões” na razão que tem como causa os nossos sentidos.

A razão nada mais faz que recordar as impressões dadas pelos sentidos, ora mais vivas, ora mais enfraquecidas, projetando em si mesma imagens daquilo que recorda da fonte originária das impressões.

Portanto, as imagens são cópias das impressões que se distinguem uma das outras pela vivacidade como se apresentam à razão, o que a faz apenas lidar com a própria capacidade de imaginar.

Assim, a imaginação pode fornecer dados que podem parecer verdadeiros, mas que podem também forjar quimeras. Ou seja, ao associar ideias umas as outras a razão comete ou pode cometer erros associativos, não produzindo, assim, conhecimento de fato. Do mesmo modo como na física newtoniana, há, para Hume, um princípio de atração entre ideias que faz com que a razão as associem de acordo com as leis e princípios que movem a natureza da própria razão humana.

Um desses princípios recebeu uma crítica voraz de Hume. Trata-se do princípio de causalidade. Hume colocou o problema da causalidade na razão humana, partindo da questão do por quê ao vermos um fenômeno qualquer buscamos as causas desse fenômeno e por quê cremos que o conhecimento repousa na crença dessa relação causal.

A filosofia de Hume parte para uma análise precisa sobre as questões do conhecimento e como o validamos como saber. As suas constatações, remete-o a uma crítica crucial ao pensamento científico e filosófico. Para Hume, ao longo dos séculos, a Filosofia e a Ciência se fundamentou apenas em um hábito de estabelecer relações de causas e efeitos e acreditou que tal domínio pudesse ser considerado conhecimento.

Contudo, tal conhecimento, quando colocado diante da natureza revela o seu estado insignificante, permitindo considerar que o conhecimento humano, com efeito, são apenas movimentos ínfimos de uma razão que acredita dominá-la sob a forma do saber.

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