A Sofística

O termo sofística se refere ao termo retórica como sinônimo. Ou seja, a sofística é o domínio perfeito da arte do discurso, seja no âmbito da linguagem, como recurso estilístico; seja no âmbito da erística, como domínio do discurso persuasivo. O convencimento é a finalidade útil do discurso retórico, em que a utilização hábil de seus procedimentos leva ao domínio das refutações, das objeções, e da construção argumentativa persuasiva.

Segundo Platão o discurso retórico, no contexto da filosofia sofista, teria por finalidade dois movimentos: (i) o primeiro, convencer o interlocutor ou ouvintes acerca dos argumentos que se propõe como tese verdadeira; (ii) segundo, derrotar o seu adversário na interlocução, fazendo-o abandonar os argumentos que defenderia. A contradição assim é um instrumento essencial ao discurso retórico, pois, de fato, algo, nesta arte, deve parecer como justa, sendo injusta; e injusta, sendo justa (Platão, p. 113).

Como mestres da oratória, os sofistas e a sua filosofia se propagou no território grego antigo, promovendo grande admiração sobre eles entre os povos gregos. Jovens de todas as idades, homens da política eram influenciados pelos pensamentos sofistas seja na arte, na moral, na ciência, na religião e, é claro, na política. Um dos maiores pensamentos dos sofistas propagados na antiguidade era o relativismo do saber e, de certo modo, um ceticismo.

O relativismo sofista parte de um enunciado tomado como verdadeiro. Agindo sobre o pensamento da tradição ateniense, refutando-o quando necessário, os sofistas tinham como fundamentação do seu pensamento filosófico a doutrina: “O homem é a medida de todas as coisas”.

Proferida por Protágoras (490-415 a.C.), esta frase remete à reflexão sobre a forma de interpretação de cada pessoa em relação a um fato ou uma verdade. O relativismo emerge aqui generalizado, se tomado como interpretação particular, de cada um, em seu sentido pleno, pois, com efeito, entende-se que, neste pensamento, é o homem (cada um deles) aquele quem determina a medida do que algo é ou não é, ou seja, é ele quem diz que algo é “assim ou assado”.

Neste sentido, o relativismo torna-se uma orientação do pensamento humano para o domínio relativo sobre o que cada homem em particular entende ser algo, rejeitando, desse modo, o domínio do dogma; do absoluto; do verdadeiro.

Na contemporaneidade, contudo, o relativismo se tornou fundamento para a emissão de “verdades” (em particular nas redes sociais) e do fechamento de si mesmo para o conhecimento, pois, com efeito, ter opinião não implica conhecer a “verdade”. Não se pode confundir a retórica de um ponto de vista com o estabelecimento dele como uma validade explicativa. Ao contrário, nenhum saber se sustenta sem que haja, em si mesmo, princípios que o torne válido em todos os aspectos para um mesmo fenômeno. Desse modo, dizer que algo é alguma coisa, implica que ocorrendo algo, alguma coisa é necessariamente idêntica em todos os causos. E não apenas para este ou aquele algo segundo a opinião deste ou daquele observador.

Por isso, quando for debater sobre conhecimento ou ciência, lembre-se do pensamento cartesiano em que afirmou que opinião e bom senso todos acham que tem, porém, a verdade, esta são para poucos.