A Humanidade, Cosmo e Infelicidade

Na história da humanidade são muitas as questões que se ergueram sobre o destino de cada ser humano diante do cosmo, diante do universo. Desde a antiguidade, a humanidade busca encontrar os caminhos que a leve a compreensão do seu papel diante de um cosmo coberto de incertezas e de desconhecimentos. A cada século que se percorreu, a humanidade se inflou de falsos conhecimentos sobre si mesmo e sobre a natureza, acreditando que o seu desenvolvimento intelectual, repousado principalmente no saber, haveria de lhe conduzir à felicidade e à harmonia plena consigo mesmo e com a natureza, numa relação de certezas e convicções que somente ela, entre todos os animais do universo, seria capaz de alcançar.

Milhares de anos se passaram e agora no século XXI, a humanidade encontra-se imersa no caos da sua própria existência, cujo sentido não se encontra em outro lugar senão fora de si mesma. Viver, trabalhar, se educar, ter ou possuir são apenas alguns aspectos que movem a alma de milhões e milhões de humanos ao redor do mundo. Animada por uma busca exterior, a vida desses humanos são entregues a uma ordem de acontecimentos e fatos que fogem ao entendimento do que é a felicidade na vida humana, e, ainda, os impede de compreender a vida naquilo que ela é realmente: parte fundamental de um todo cósmico, de uma natureza plena e soberana.

Poucos são os humanos que se dão conta da sua miserabilidade individual e poucos são aqueles que encontraram, em si mesmos, a harmonia de estar em continuidade estreita com o cosmo e, o mais importante, consigo mesmo.

A dor e o sofrimento são sentimentos presentes no dia a dia naqueles humanos que buscam nos horizontes obscuros de uma vida contemporânea os caminhos para a sua felicidade. O trabalho que não resulta em sucesso financeiro; a busca de um conhecimento que não resulta em sucesso na carreira; o carro zero ou a casa própria que não resultam em felicidade entre os seus familiares; o cuidado por um(a) companheiro(a) que não resulta em prazer e amor; uma vida de esforço e lutas pessoais que não resultam em alegria.

O fato é que a angústia, o medo, o pânico, a solidão, o desespero, a incerteza, entre outros sentimentos são os males e os sofrimentos que afetam a vida da grande maioria dos humanos do século XXI. Estes sentimentos podem até parecer dores e sofrimentos de uma vida particular apenas, que para alguns se referem à vida de José ou à de Maria, mas se referem, na verdade, ao modo de vida humana contemporâneo.

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Humanos sofrem, padecem e perecem em suas dores por não compreenderem o que são como seres vivos pertencentes a uma dinâmica cósmica e natural muito maior que a si mesmos. Somado a isso, os problemas que envolvem a vida humana nos grandes centros urbanos, temos ainda problemas globais que afetam a existência de cada um em um contexto universal. Alguns humanos morrem de fome, outros por guerras, e muitos outros por doenças.

Todavia, entre estes males, o maior é a morte em vida. Milhões, repito milhões, morrem sem saber porque viveram neste mundo. De todas as dores que esta vida pode nos causar, esta, a ignorância de si mesmo e de sentido para a própria vida, é aquela que mais causa sofrimento ao ser humano contemporâneo. Nasce-se e morre-se sem se saber o que é a vida neste no mundo natural e humano. Sem se saber para onde apontar a luz da própria existência e, pior, sem saber dimensionar em si mesmo porque se vive ou porque se viveu. Sessenta, setenta, noventa anos de existência de um vazio pleno e angustiante. De uma vida desordenada e obscura em si mesmo. No século XXI, a grande maioria dos humanos já nascerão mortos, pois, com sorte, alguns, em algum momento, aprenderão o que é a vida neste vasto universo de seres vivos e de fenômenos naturais, mas estes serão os privilegiados da humanidade. A grande maioria, sem saber, serão afastados da sua ligação natural com o cosmo e com a natureza, distanciando-os da compreensão da própria existência.

A dor e o sofrimento criou um muro em torno de cada ser humano e o impediu, e o impede, de encontrar os caminhos para o sentido da vida e para a Felicidade na própria existência. A Felicidade, agora, tornou-se uma ilusão, um mero objetivo a ser alcançado, em que ao se esticar a mão, tateia-se aqui e acolá, toca e pega-se em algo e prontamente pensa e sente-se: “eis” o objeto da Felicidade. Mas, longe de ser um objeto ao alcance das mãos, a verdade é que, no mundo humano contemporâneo, a Felicidade se tornou uma pequena pedra escondida em um ponto mais alto do cume inalcançável de uma montanha. Tão distante que, para fingir que a encontrou, a humanidade se desdobra em apontar para algumas coisas efêmeras, e fora de si mesma, dizendo: “- Ali está a minha Felicidade”.

Os humanos são infelizes e não sabem porque o são.